Por que na primavera as alergias e doenças respiratórias são mais frequentes?

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A primavera é a época da floração e, em muitas regiões, de clima mais seco e de variações de temperatura. Por isso, pessoas com asma ou rinite costumam sentir mais dificuldades nesse período. Mas o que explica essa piora? Os principais gatilhos das alergias respiratórias são poeira, pólen, ácaros e mofo.

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Como a primavera traz flores e o pólen se espalha pelo ar, as pessoas alérgicas a ele costumam sentir mais sintomas nessa época. O ar seco também pode irritar as mucosas do nariz e da garganta, o que favorece espirros frequentes. As mudanças bruscas de temperatura não causam alergia diretamente, mas podem piorar o incômodo em quem já tem as vias respiratórias sensíveis. No verão, o calor e a umidade favorecem a proliferação de fungos, o que também pode ser um problema.

Quais são os sintomas das alergias?

Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Quem tem rinite alérgica costuma apresentar:

  • Coceira no nariz;
  • Congestão nasal;
  • Crises de espirros;
  • Olhos vermelhos e lacrimejantes;
  • Dificuldade para respirar pelo nariz.

Também podem ocorrer crises de asma, que causam mais tosse, chiado e falta de ar, e conjuntivite alérgica, que deixa os olhos vermelhos e irritados. A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) aponta as alergias respiratórias como um problema muito comum no Brasil. O pólen costuma ter mais importância na região Sul do país.

Quando não é controlada, a rinite pode atrapalhar o sono e, com isso, afetar a disposição, a concentração e o humor durante o dia. Em crianças, o cansaço pode aparecer como dificuldade na escola. Por isso, vale não tratar esses sintomas como algo normal, principalmente quando eles se repetem todos os anos.

Como aliviar os sintomas?

Muitas pessoas convivem com a alergia e acabam se acostumando com os sintomas, mas isso pode atrasar o tratamento. A rinite alérgica é uma doença crônica e costuma precisar de acompanhamento. Procure um médico, principalmente quando o problema atrapalhar o sono, o trabalho, os estudos ou outras atividades do dia a dia.

Evitar o acúmulo de poeira, ácaros e pólen é um bom passo. Deixe os cômodos ventilados e, se possível, com entrada de sol. Na limpeza, prefira um pano úmido em vez da vassoura, que levanta a poeira. Se usar ar-condicionado, mantenha os filtros e as aletas limpos, conforme as orientações do fabricante. Tapetes, cortinas de tecido e bichos de pelúcia acumulam partículas, por isso vale reduzir esses itens no quarto e limpá-los com frequência. Perfumes fortes e produtos de limpeza com cheiro intenso também podem irritar.

Em dias muito secos, manter o ar um pouco mais úmido pode trazer conforto, mas sem exagero, já que a umidade em excesso favorece ácaros e mofo. Um umidificador precisa ser limpo com regularidade. Uma bacia com água ou uma toalha úmida no quarto são alternativas simples.

Manter o nariz limpo também ajuda. A lavagem com soro fisiológico umedece a mucosa e remove parte das partículas. Prefira o soro pronto, vendido em farmácias, e siga a orientação de um profissional de saúde sobre a melhor forma de usar, sobretudo em crianças.


O que acontece no corpo durante uma crise alérgica

A alergia ocorre quando o sistema de defesa reage de forma exagerada a uma substância que, para a maioria das pessoas, é inofensiva. Pólen, ácaros, pelos de animais e fungos estão entre os principais alérgenos. Em uma pessoa sensibilizada, o organismo identifica esse material como ameaça e libera substâncias como a histamina, que causam inchaço, coceira e aumento de secreção no nariz, nos olhos e na garganta.

Na primavera, o aumento das flores e a circulação de pólen podem agravar os sintomas de quem já é sensível. Dias secos e com vento ajudam a espalhar as partículas, e as mudanças bruscas de temperatura podem irritar as vias respiratórias. No Brasil, a importância do pólen varia conforme a região e costuma ser mais citada no Sul do país. Em outras áreas, os ácaros e a poeira podem ter um papel maior durante boa parte do ano. Por isso, nem todo espirro na primavera é causado por flores.

Alergia, resfriado ou gripe?

Esses problemas podem ser confundidos, mas há algumas pistas. Na alergia, é comum haver espirros em sequência, coriza clara, coceira no nariz e nos olhos e sintomas que se repetem em certos ambientes ou épocas, geralmente sem febre. No resfriado, costuma haver congestão, dor de garganta e mal-estar leve, que melhoram em alguns dias. A gripe tende a começar de repente, com febre, dores no corpo e cansaço intenso. Já a covid-19 pode causar sintomas parecidos com os de todos esses quadros, e um teste pode ser necessário para esclarecer.

Essas diferenças servem apenas como orientação, e um profissional de saúde é quem pode fazer o diagnóstico. Sintomas que duram muito, ou que voltam com frequência, merecem avaliação, inclusive para identificar qual é a causa da alergia. Em certos casos, o médico pode solicitar testes alérgicos.

Cuidados dentro de casa

Algumas medidas podem ajudar a reduzir o contato com alérgenos. Prefira limpar com pano úmido, em vez de vassoura, pois varrer levanta a poeira. Lave roupas de cama regularmente e deixe colchões e travesseiros tomarem ar. Capas protetoras podem ser úteis para algumas pessoas. Evite acumular objetos que juntam pó, como pilhas de papéis e bichos de pelúcia, especialmente no quarto de quem tem alergia.

Mantenha os ambientes ventilados e combata a umidade e o mofo, consertando vazamentos e infiltrações. Em períodos de muito pólen e vento, pode ser melhor manter as janelas fechadas nas horas de maior incômodo. Depois de passar muito tempo ao ar livre, tomar banho e trocar de roupa também ajuda. Evite perfumes fortes, produtos de limpeza com cheiro intenso e fumaça de cigarro, que irritam as vias respiratórias mesmo em quem não tem alergia.

Tratamento: cuidado com a automedicação

Existem vários tratamentos, como anti-histamínicos, sprays nasais e medicamentos para asma, e o profissional de saúde vai indicar os mais adequados para cada caso. Um dos erros mais comuns é usar descongestionantes nasais por conta própria, durante muitos dias seguidos. Além de poderem causar efeito rebote, piorando a congestão, eles podem ser inadequados para pessoas com determinadas doenças, como hipertensão. Alguns antialérgicos também causam sono, o que exige cuidado ao dirigir ou operar máquinas.

A lavagem nasal com soro fisiológico é uma medida simples que costuma ajudar, mas deve ser feita com soluções e instrumentos limpos. Em alguns casos, o especialista pode indicar a imunoterapia, tratamento feito ao longo de um período prolongado e que busca reduzir a sensibilidade a alérgenos específicos.

Crianças e pessoas com asma

Crianças com rinite podem dormir mal, roncar, respirar pela boca e ter dificuldade de atenção na escola. Esses sinais merecem ser comentados com o pediatra. Quem tem asma precisa manter o acompanhamento médico e seguir o plano de tratamento, sem interromper remédios por conta própria quando os sintomas melhorarem. Saber identificar o início de uma crise e ter o medicamento de resgate à mão, quando prescrito, é parte importante do cuidado.

Sinais de alerta

Procure atendimento médico imediato em caso de falta de ar forte, chiado intenso no peito, lábios arroxeados, dificuldade para falar frases completas ou inchaço no rosto e na garganta. Esses podem ser sinais de crise grave de asma ou de uma reação alérgica severa. Febre alta persistente, dor no peito ou piora depois de uma melhora também devem ser avaliadas. Em crianças pequenas e idosos, vale buscar orientação mais cedo. As informações deste texto são gerais e não substituem a consulta com um profissional de saúde.