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A internet é uma das invenções mais importantes do século XX. Ela abriu caminho para novas tecnologias que continuam a mudar a forma como as pessoas vivem e trabalham.
Hoje é difícil imaginar a vida sem ela, mas essa história começou há décadas, em laboratórios e universidades. A seguir, você conhecerá as origens e as principais etapas desse desenvolvimento.
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Grandes máquinas
Na década de 1940, os computadores eram enormes máquinas que ocupavam salas inteiras. Eles eram usados principalmente por instituições militares e científicas e funcionavam de forma isolada. Não havia como um computador conversar diretamente com outro a distância, e a troca de dados dependia de cartões perfurados ou de fitas levadas de um lugar para outro.
O contexto mudou durante a Guerra Fria, a disputa entre os Estados Unidos e a União Soviética, que teve impacto na economia, nas forças armadas e na ciência. Quando os soviéticos lançaram o satélite Sputnik, em 1957, o governo americano reagiu investindo em pesquisa e criou, no ano seguinte, a agência hoje conhecida como DARPA.
A comutação de pacotes
A ideia central da internet surgiu nos anos 1960. Leonard Kleinrock, então no MIT, estudou a teoria de enviar informações divididas em partes. Paul Baran, nos Estados Unidos, e Donald Davies, no Reino Unido, também chegaram a propostas parecidas. Foi Davies quem criou o nome pacote. Nesse sistema, os dados são quebrados em pequenos blocos, que podem seguir caminhos diferentes até o destino, onde são reunidos.
É comum ouvir que a internet foi criada apenas para resistir a um ataque nuclear. Essa preocupação de fato motivou parte dos estudos de Baran, mas os responsáveis pela ARPANET lembram que o principal objetivo era permitir que os pesquisadores compartilhassem computadores, que eram caros e escassos.
A rede galáctica
Em 1962, J.C.R. Licklider, do MIT, descreveu o conceito de uma rede galáctica, em que qualquer pessoa poderia acessar dados e programas de qualquer lugar. Ele foi o primeiro chefe do programa de pesquisa em computação da agência americana e convenceu seus sucessores da importância do projeto.
Em 1965, Lawrence Roberts, em Massachusetts, e Thomas Merrill conectaram um computador TX-2 a um Q-32 na Califórnia por meio de uma linha telefônica. A experiência mostrou que os computadores podiam trabalhar juntos a distância, mas também que as linhas comuns eram inadequadas para isso. No ano seguinte, Roberts foi trabalhar na agência e elaborou o plano da ARPANET, com a participação de Robert Kahn e Howard Frank, entre outros.
A primeira mensagem
Em 29 de outubro de 1969, um computador da Universidade da Califórnia em Los Angeles tentou enviar a palavra login ao Instituto de Pesquisa de Stanford. O sistema caiu logo depois das duas primeiras letras, e a mensagem que chegou foi apenas lo. Pouco depois, a conexão completa funcionou. No fim daquele ano, quatro universidades e centros de pesquisa americanos já estavam interligados.
O e-mail e o crescimento da rede
Na década de 1970, a ARPANET cresceu e passou a reunir dezenas de computadores conectados. Um grupo de trabalho liderado por Steve Crocker criou o NCP, um protocolo que permitia a comunicação entre as máquinas da rede. Em 1971, Ray Tomlinson enviou o primeiro e-mail entre computadores diferentes e adotou o símbolo @ para separar o nome do usuário e o nome da máquina. O correio eletrônico se tornou uma das aplicações mais usadas da rede e mudou a forma como as pessoas se comunicavam.
Esses primeiros usuários eram, em sua maioria, pesquisadores e estudantes, e a rede funcionava com base em regras combinadas entre eles. Muitas decisões técnicas eram registradas em documentos públicos chamados RFCs, uma prática que continua até hoje e que ajudou a manter os padrões abertos da internet. Não havia publicidade, lojas ou redes sociais, e o uso comercial só viria bem mais tarde.
Em 1973, a rede fez suas primeiras conexões internacionais, com a Noruega e o Reino Unido. Nessa época, os pesquisadores já procuravam uma forma de ligar redes diferentes entre si, o que levou à criação dos protocolos descritos na próxima seção.
Os principais marcos, em ordem
A trajetória da internet fica mais fácil de entender quando a organizamos. O contexto inicial foi a Guerra Fria, a disputa entre Estados Unidos e União Soviética. Em 1957, os soviéticos lançaram o satélite Sputnik, e no ano seguinte o governo americano criou a agência hoje conhecida como DARPA, dedicada a pesquisas de ponta. Dali nasceu a ARPANET, cuja primeira conexão, entre universidades da Califórnia e de Stanford, aconteceu em 1969. Nos anos 1970 surgiram o e-mail e os protocolos TCP/IP, desenvolvidos por Vint Cerf e Robert Kahn, que permitiram que redes diferentes conversassem entre si. A ARPANET adotou esses protocolos em 1983, data muitas vezes apontada como o nascimento da internet moderna.
A chegada da web mudou tudo
É comum confundir internet com web. A internet é a infraestrutura, a grande rede de computadores. A web é um dos serviços que funcionam sobre ela. Foi criada por Tim Berners-Lee, cientista britânico que trabalhava no CERN, na Europa, por volta de 1989, com a proposta de ligar documentos por meio de links. A web foi aberta ao uso geral nos anos seguintes, e navegadores como o Mosaic e o Netscape facilitaram o acesso, com imagens e páginas fáceis de abrir.
Depois disso, surgiram empresas de busca, lojas on-line e, mais tarde, redes sociais. Os celulares inteligentes levaram a conexão para o bolso de boa parte da população. Hoje, serviços em nuvem e inteligência artificial dependem dessa mesma base.
E no Brasil?
As primeiras conexões brasileiras apareceram no fim dos anos 1980, em universidades e centros de pesquisa. Em 1995, a internet comercial começou a se expandir, e os provedores de acesso discado chegaram a muitas casas. Quem viveu essa época se lembra do barulho do modem e da espera para abrir uma página. Em 2014, o país aprovou o Marco Civil da Internet, que estabelece princípios, direitos e deveres para o uso da rede.
Como a internet funciona, em palavras simples
Quando você envia uma mensagem ou abre um site, as informações são divididas em pequenos pacotes. Cada pacote pode seguir um caminho diferente por cabos, roteadores e servidores, inclusive cabos submarinos entre continentes. Ao chegar ao destino, os pacotes são reorganizados. É essa técnica, chamada de comutação de pacotes, que torna a rede robusta. Se um trecho falha, os dados podem encontrar outro caminho. Já o sistema de nomes de domínio funciona como uma agenda: ele traduz endereços fáceis de lembrar em números usados pelos computadores.
Como navegar com mais segurança
Quanto mais a rede faz parte da vida, mais importantes são os cuidados. Use senhas diferentes em cada serviço, ative a verificação em duas etapas e mantenha o sistema e os aplicativos atualizados. Confira o endereço do site antes de digitar dados e desconfie de mensagens urgentes que peçam códigos ou pagamentos. Uma informação compartilhada nem sempre é verdadeira, então cheque a fonte antes de repassar. Com as crianças, combine regras de uso e procure acompanhar o que elas acessam. Em redes Wi-Fi públicas, evite entrar em contas bancárias e, se precisar fazer algo importante, prefira usar os dados móveis do celular. Essas atitudes simples ajudam a aproveitar melhor tudo o que a internet tem a oferecer.