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Você provavelmente já se perguntou de onde vem o plástico. É quase impossível pensar no dia a dia sem uma das invenções mais importantes dos últimos dois séculos.
Embora exista em muitas formas, esse material não é encontrado pronto na natureza. Ele é o resultado de pesquisas e de experimentos químicos que começaram no século XIX.
Como surgiu o plástico
Em 1862, o inglês Alexander Parkes apresentou a parkesina, um material orgânico derivado da celulose que podia ser moldado quando aquecido e mantinha a forma depois de resfriado.
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A parkesina surgiu como uma alternativa a materiais naturais usados em muitos produtos da época, mas o custo de produção era alto, o que desanimou os investidores. Embora não tenha sido um sucesso comercial, ela foi um primeiro passo importante no desenvolvimento dos plásticos.
Poucos anos depois, por volta de 1869, o americano John Wesley Hyatt criou uma versão melhorada desse tipo de material, o celuloide, feito a partir de celulose tratada com ácido nítrico e cânfora. Na época, o bilhar estava se tornando popular, e o marfim usado nas bolas vinha da caça aos elefantes. Conta-se que uma empresa de Nova York ofereceu um prêmio de 10 mil dólares a quem encontrasse um substituto, o que teria motivado as pesquisas de Hyatt. O celuloide também foi usado em filmes fotográficos e no cinema.
A revolução, porém, estava apenas começando. Em 1907, o químico belga Leo Baekeland inventou a baquelite, feita a partir de fenol e formaldeído, considerada a primeira resina totalmente sintética. Ela foi comercializada como o material de mil utilidades, e seu sucesso levou muitas empresas químicas a investir em novos plásticos.
Desenvolvimentos e inovações
A partir daí, centenas de polímeros foram desenvolvidos para diversos usos. O polietileno foi descoberto na Inglaterra em 1933 e, durante a Segunda Guerra Mundial, ajudou a isolar cabos de radar, o que tornou mais fácil instalar esses equipamentos em aviões.
O náilon, criado nos Estados Unidos nos anos 1930 pela equipe de Wallace Carothers como uma seda sintética, foi usado na guerra em paraquedas, cordas e outros equipamentos. O poliestireno também ganhou escala industrial nessa época. Com a falta de matérias-primas naturais durante o conflito, as alternativas artificiais tornaram-se prioridade.
Depois da guerra, a produção continuou a aumentar. O poliéster se popularizou nos tecidos, e o polipropileno, hoje um dos polímeros mais usados no mundo, começou a ser produzido comercialmente nos anos 1950. Nas décadas de 1960 e 1970, os plásticos passaram a substituir o vidro, o papel e o metal em muitos produtos, por serem baratos, versáteis, higiênicos e fáceis de fabricar. Um exemplo marcante é a garrafa PET, patenteada nos Estados Unidos no início dos anos 1970, que acabou mudando a forma como refrigerantes e água são vendidos.
Uma presença constante no dia a dia
Hoje, o plástico está na medicina, nos transportes, na tecnologia, nas embalagens, na construção, no esporte, na agricultura e na indústria. Seringas descartáveis, bolsas de sangue e muitos equipamentos hospitalares dependem dele. Peças leves de plástico também ajudam a reduzir o peso de carros e aviões, o que pode diminuir o consumo de combustível. Nas embalagens, o material protege os alimentos e ajuda a conservá-los por mais tempo. Durante a pandemia de covid-19, máscaras, luvas e outros itens de proteção mostraram como esse material continua presente em áreas essenciais.
Ao mesmo tempo, sua produção em grande escala trouxe um problema que os primeiros inventores não imaginavam: o volume de resíduos. É por isso que a história do plástico hoje também passa pela reciclagem, pelo descarte correto e pela busca de alternativas, temas que aparecem nas seções a seguir.
Do primeiro plástico sintético à era do descartável
Depois das primeiras experiências com materiais derivados de plantas, um marco importante veio em 1907, quando o químico belga Leo Baekeland criou a baquelite, considerada o primeiro plástico totalmente sintético. Resistente ao calor e bom isolante elétrico, o material foi usado em telefones, rádios e peças elétricas. Nas décadas seguintes surgiram outros polímeros, como o náilon, usado em meias e em equipamentos durante a Segunda Guerra Mundial, além do polietileno e do PVC.
Depois da guerra, a indústria precisou de novos mercados, e os plásticos entraram nas casas em forma de brinquedos, potes, eletrodomésticos e embalagens. O baixo custo ajudou a criar a cultura do descartável, em que muitos produtos são usados por poucos minutos, mas o material pode permanecer no ambiente por muito tempo.
Como é feito
A maior parte dos plásticos vem de derivados do petróleo e do gás natural, embora também existam versões produzidas a partir de cana-de-açúcar e de outras matérias-primas. O princípio básico é a polimerização: pequenas moléculas se unem em longas cadeias. Depois, o material recebe aditivos que podem dar cor, flexibilidade ou resistência, e costuma ser vendido em forma de pequenas pelotas, que são derretidas e moldadas para formar o produto final.
O que significam os números nas embalagens
O símbolo de triângulo com um número indica o tipo de resina, e não uma garantia de que o produto será reciclado. Ele ajuda a identificar o material:
O número 1 é o PET, usado em garrafas de refrigerante e de água. O 2 é o PEAD, comum em frascos de produtos de limpeza. O 3 é o PVC, encontrado em tubos e em algumas embalagens. O 4 é o PEBD, usado em sacolas e filmes. O 5 é o polipropileno, frequente em potes e tampas. O 6 é o poliestireno, que inclui o isopor. O 7 reúne outros tipos, inclusive as misturas.
Na prática, a possibilidade de reciclar depende da coleta da cidade, da limpeza do material e de haver compradores para ele. Por isso, confira as orientações da cooperativa ou da prefeitura da sua região.
Microplásticos: o que se sabe
Com o tempo, o plástico se fragmenta em pedaços cada vez menores. As partículas muito pequenas, chamadas de microplásticos, já foram encontradas em oceanos, solos, alimentos e até no ar. Elas também podem vir da lavagem de tecidos sintéticos e do desgaste de pneus. Os efeitos na saúde humana ainda estão sendo estudados, e os pesquisadores buscam entender quais são os riscos e em quais níveis de exposição. Na natureza, animais marinhos podem confundir pedaços de plástico com comida, além de ficarem presos em redes abandonadas.
Bioplástico resolve tudo?
Os termos podem confundir. Um plástico de origem vegetal não é necessariamente biodegradável. E um produto biodegradável pode precisar de condições específicas para se decompor, como as de uma usina de compostagem, que não se encontram em um lixão ou no mar. Desconfie de rótulos vagos como "ecológico" e procure informações claras sobre o material e sobre como descartá-lo.
O que fazer no dia a dia
O plástico continua sendo muito útil em equipamentos médicos, na conservação de alimentos e em muitas outras áreas, então o objetivo não é eliminar tudo. Uma boa estratégia é reduzir os itens desnecessários e usar o que já se tem por mais tempo. Leve sacola retornável às compras, prefira uma garrafa reutilizável e escolha refis quando possível.
Na hora de descartar, lave rapidamente as embalagens, separe-as do lixo orgânico e reúna os materiais para a coleta seletiva, se ela existir na sua cidade. Com alimentos quentes, siga as orientações do fabricante do recipiente e evite usar no micro-ondas potes que não foram feitos para isso.